24 de mar de 2012

Balela (ou: alguns comentários sobre Direitos Autorais)

Todo mundo que defende, na internet e na mídia em geral, o fim dos direitos autorais sob o rótulo de "democratização do acesso à cultura" ou coisa parecida, parece que só entende a Música Popular como cultura.

Mais que isso: só vê como artista o músico/compositor/intérprete que, já há muitos anos, sobrevive dos shows que faz, e não mais das obras que cria.

Um escritor ou um artista plástico, por exemplo, não têm como reunir 20 mil pessoas num ginásio coberto e cobrar ingresso para que esse público leia seu livro ou visite sua exposição. Mesmo assim, esse escritor ou artista plástico precisa pagar seu IPTU, o financiamento do carro, o aluguel, o leite das crianças.

São realidades completamente diferentes e que não podem ser regidas por um mesmo critério e regulamentação arbitrária, injusta e até desumana. O artista é um profissional como qualquer outro e deve ter o direito de sobreviver do seu ofício.

Claro, há artistas já consagrados, que não dependem mais disso para sobreviver. Ou que criam como hobby (não estou fazendo juízo de valor da obra de cada um) e que podem se dar ao luxo de liberar o uso ou a reprodução do produzem - é um direito que têm.

Só que nem todo mundo é, assim, um Paulo Coelho. Ou um Gilberto Gil.

Muitos fizeram a opção por divulgar seus trabalhos na internet apenas para serem vistos e se tornarem conhecidos mais rapidamente. É uma opção válida, mas é uma escolha pessoal. Não pode ser imposta, sem ferir o livre arbítrio do artista que não quer trilhar esse caminho.

Porque, desde que nossas sociedades ditas democráticas incorporaram o Direito em nossas vidas, consagrou-se como princípio moral e base de toda ordem de que "o direito de cada um acaba onde começa o direito do outro". Aprendi isso na escola, ainda no 4º ano primário.

Fora disso, desprezamos as liberdades individuais e – pior! - passamos a aceitar a tirania como solução natural para qualquer situação. Será um passo para a barbárie, o caos.

Hoje, usurpam “apenas” nossos direitos autorais: amanhã, quem sabe?

A despeito de defender a inviolabilidade dos direitos de autor, acho que há muitas irregularidades (estou usando um eufemismo, pra não correr o risco de ser processado por calúnia ou injúria) nos atuais órgãos de arrecadação que há por aí. Urge que se faça uma devassa em todos eles e que se atualize a legislação sobre o tema (infelizmente, no que depender dos nossos políticos, não podemos esperar muita coisa – ou, sequer, alguma coisa boa...), com mais rigor na fiscalização e punição para criminosos envolvidos.

Mas, confiscar os nossos direitos de autor em nome de uma pseudodemocratização de acesso à cultura é uma vil tentativa, daqueles que preferem se omitir, de sepultar a Caixa de Pandora do atual sistema de arrecadação e distribuição criando um novo monstro que continuará extorquindo os artistas e expropriando a sua obra - agora, com suposto novo respaldo legal.

Para a nossa classe política - formada, em geral, por oportunistas, corruptos, promíscuos, covardes, egoístas, irresponsáveis, inconsequentes, retrógrados, anacrônicos, alienados e omissos - o melhor será sempre não mexer em vespeiro em ano eleitoral. Ou logo no início de um novo mandato, porque estarão envolvidos com o planejamento das ações do novo mandato. Ou antes da próxima eleição, porque estarão entrando, outra vez, em um ano eleitoral. Ou depois, porque...

16 de set de 2009

Tá rolando a exposição


Semana passada (10/09/09) foi a abertura da minha exposição Coleção íntima - objetos e perversões, na Galeria de Arte do Sesiminas, em BH.

Fiz uma montagem com algumas fotos do evento, pra quem ainda não foi lá. As fotos são da montagem (com o auxílio precioso do Lucas Dupin, que fez a curadoria); dos afrodisíacos para degustação na vernissage; alguns amigos que apareceram pra conferir (Rubinho do Vale, Maria Aldina); e garotos e garotas da Asprom, em visita guiada pela Gizele, já na terça-feira.

Aos convidados amigos que não aparecem nas fotos, a minhas desculpas: fiquei o tempo todo com a câmera a tiracolo e esqueci de registrar as ilustres presenças!... Efeito do afrodisíaco alcoólico que fiquei degustando, certamente...

23 de jul de 2009

informações para a imprensa

Aragão expõe objetos e perversões no SESIMINAS

Sadomasoquismo, ninfomania, castidade, voyeurismo. Parafilias e perversões diversas inspiram o artista mineiro José Carlos Aragão na criação de objetos de uma coleção inusitada, que ele expõe na Galeria de Arte SESIMINAS, a partir de 10 de setembro. Coleção íntima: objetos e perversões propõe, através da ironia, non sense e humor negro, uma reflexão sobre a sexualidade, revelando as fraturas e desvios recônditos de cada um e de uma sociedade fundada na repressão, tabus e preconceitos.
“Afinal, o que nos impõe a castidade como uma virtude? O livre arbítrio? A fé? Ou meras convenções sociais?” - questiona o artista. “E o que fazemos com nossas taras e desejos mais particulares? Apenas os catalogamos e guardamos em coleções secretas, nunca expostas – muitas vezes, nem a quem compartilha da nossa mais estreita intimidade?”

SOBRE O ARTISTA

Aragão realiza sua primeira exposição individual em Belo Horizonte, após graduar-se em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG, em 2008, aos 51 anos de idade. Sua trajetória artística, contudo, começou há mais de três décadas.
Como autodidata, dedicou-se ocasionalmente à pintura e, com mais assiduidade, ao jornalismo, às artes gráficas, ao teatro e à literatura, obtendo vários prêmios no Brasil e no exterior. Nos últimos anos, optou por dedicar-se à escultura, preferindo, no entanto, desenvolver propostas no campo da chamada arte conceitual, como intervenções urbanas, instalações, objetos e ações poéticas efêmeras.
Em 2005, realizou a performance artístico-literária Palavras ao vento (no projeto Ceníssimas; EBA/UFMG) e, no ano seguinte, participou de duas coletivas, na Galeria da Escola de Belas Artes e no Centro Cultural da UFMG. Em 2007, apresentou suas instalações Faça você mesmo #1 e #2 na Galeria de Arte da EBA/UFMG e foi selecionado para a Bienal de Artes do Triângulo, em Uberlândia. No mesmo ano, foi selecionado para o evento de arte urbana MultipliCIDADE, em Vitória (ES). Participou, em 2008, do 7° Salão de Arte Contemporânea de Jataí (GO) e realizou a intervenção urbana Espaço reservado #4 nas ruas de Diamantina (MG), durante o 40° Festival de Inverno da UFMG.

SERVIÇO:

Coleção íntima
Objetos e perversões de José Carlos Aragão
Curadoria: Lucas Dupin
Abertura: 10/setembro/2009
Visitação: 11/setembro a 4/outubro/2009
De terça a domingo, de 9 às 21h
Entrada franca
Galeria de Arte SESIMINAS
Rua Pe. Marinho, 60 – Sta. Efigênia
Belo Horizonte - MG

Artista selecionado através do edital de Exposições da Galeria de Arte SESIMINAS/2009.

22 de jul de 2009

mais um

Dando continuidade à minha produção bloguística, estou inaugurando um novo espaço virtual. Depois de um blog dedicado às minhas atividades literárias (aragaoescritor.blogspot.com); e outro dedicado à minha carreira de humorista do traço e do texto (aragaohumor.blogspot.com), chegou a vez das artes visuais.
E, para começar, ele será dedicado à minha primeira individual em Belo Horizonte, após a minha graduação em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG, há um ano.
Coleção íntima: objetos e perversões é o nome da exposição, que será aberta no próximo dia 8 de setembro/2009, na Galeria de Arte Sesiminas (R. Pe. Marinho, 60), com a curadoria de Lucas Dupin.
Se vai haver um coquetel ou não, não sei: ainda estou dependendo de patrocínio (artista em início de carreira, sabem como é...). Mas, desde já, estão todos convidados.
Ao longo das próximas semanas, textos e imagens sobre a mostra deverão dominar o blog, naturalmente. Mas, passada a exposição, pretendo que este espaço venha a ser um portfólio digital da minha produção artística e uma tribuna para expor algumas reflexões pessoais sobre Arte - e, claro está, para uma sadia e inevitável troca de ideias com outros artistas e interessados.

Bem-vindos.
(Este blog é dedicado a Marcel Duchamp.)